Você sabia que foi a partir do Concílio de Trento que foram criados os seminários nas dioceses (1563), voltados para a formação do futuro presbítero da igreja? Antes disso, o homem que desejasse ser padre, logo recebia as ordens sacras, ajudando o bispo local.
Fica clara a contribuição desse concílio e mais, especificamente, a aplicação dele na vida de São Carlos Borromeu, que fundou seminários e escreveu regulamentos. Posteriormente, o Concílio Vaticano II e o Código de Direito Canônico elaboraram melhor sobre como deve ser a formação do clero.
Seminarista é aquele que recebeu um chamado de amor de Deus e, na liberdade, respondeu a Ele. Agora que sabemos um pouco mais sobre o seminário, vamos conhecer os seminaristas que já passaram pela Bom Pastor Praia da Costa.
A Paróquia no período de 2019 a 2020 recebeu o seminarista Alessandro Rebonato, que concedeu essa entrevista a jornalista Ana Ronchi naquela época, para a primeira edição da Revista Conexão, em outubro de 2019.
Qual sua paróquia de origem?
Sou da Paróquia Virgem Maria, em Itacibá e minha iniciação cristã se deu na Comunidade Imaculada Conceição.
Há quanto tempo está na Paróquia Bom Pastor?
Entrei esse ano (2019). A Paróquia Bom Pastor é minha terceira pastoral dentro do processo formativo. Nós estudamos oito anos, estou no sétimo ano, portanto o último. Nos dois primeiros anos eu fiquei na Paróquia da Ressureição em Goiabeiras, depois fiquei mais dois anos na paróquia São Camilo de Lellis na Mata da Praia. Agora estou indo para os dois últimos anos na Paróquia Bom Pastor da Praia da Costa. Estou no terceiro ano de teologia, se tudo ocorrer bem em 2020 recebo meu diaconato. Nós chamamos de diaconato transitório porque dura entre seis meses a um ano até receber o segundo grau da ordem, que é o presbiterato.
Com quantos anos você entrou no seminário?
Entrei no seminário com 36 anos. É importante ressaltar porque muitos desistem por pensarem que estão velhos. Atualmente é até comum ir para o seminário com uma experiência maior de vida. Não que seja um critério, mas as pessoas estão buscando um direcionamento vocacional com a idade mais madura. Antes os meninos entravam no seminário na primeira infância, com sete ou oito anos. Esse quadro mudou. É muito comum procurarem hoje com 25, 30 anos.
Qual é sua história de participação na Igreja?
Eu fui trabalhar ativamente na Igreja aos 18 anos, antes eu ia para cumprir um preceito. Era o que tinha para fazer no fim de semana, ir à igreja e depois sair com os amigos. Depois fui tomando conhecimento, me apaixonando cada vez mais e acabei mergulhando de cabeça. Já fui coordenador da comunidade, do grupo de oração, do grupo de adolescentes, entre outros. Naquela época muitos já falavam comigo que eu seria padre. Muitos padres também chegaram a questionar o porquê de eu não fazer um discernimento vocacional. Eu nunca havia me visto como padre. Acredito que estava tão mergulhado nas atividades da igreja que aquilo já me satisfazia, me fazia realizado. Como você decidiu que seria padre?
Quando cheguei aos 33 anos vi que muitos colegas de infância e adolescência estavam casados, formando famílias e com filhos. E eu, na contramão disso, estava mergulhado nas atividades da igreja. Comecei a me questionar então o que Deus queria da minha vida. Passei a refletir. Eu precisava decidir se iria casar ou seguir outros caminhos. Foi a partir desse momento em que comecei a procurar um discernimento na minha vida. Comecei a tentar ouvir o que Deus queria de mim. Foi muito difícil no começou, demorou cinco anos para fazer esse discernimento.
A mudança veio de um retiro que participei no Paraná. Era uma espécie de seminário ligado ao movimento que eu participava dentro da Igreja. Quando voltei desse retiro, já com 35 anos, comecei a questionar de forma mais enfática: “Meu Deus, o que vai ser da minha vida?”. Cheguei do retiro e, desfazendo as malas, um sentimento caiu no meu coração como uma luva: “você vai ser padre!”. Foi uma alegria enorme. Nunca tinha experimentado algo que me fizesse sentir tão completo dentro de uma vocação. A partir daí comecei a buscar direcionamento. Fui ao padre e ele me encaminhou ao Seminário Nossa Senhora da Penha. Fiz os encontros vocacionais em 2014, depois, entrei no Seminário.
Não foi fácil. Nunca é simples entender a vocação, mas Deus vai dando os sinais. Ele fala em nosso coração, fala através das pessoas, de palestras e assim por diante. Eu ainda estou nesse processo de discernimento, mas não me vejo hoje em outro lugar que não seja como padre. Eu não me vejo casado nem constituindo uma família, eu me vejo padre. Estou nesse processo: disposto e disponível para o que Deus tem na minha vida. O que eu sei é que quero fazer a vontade Dele.
Que dica você daria aos jovens que pensam em ingressar no seminário?
Primeiro é ser sincero consigo mesmo. Muitas vezes ficamos preocupados com que os outros irão pensar, o que a família vai pensar, o que os amigos irão dizer. É importante que nós nos desvencilhemos dessas pressões sociais e olhemos para dentro de nós mesmo. É necessário que nos perguntemos: “onde mora nossa felicidade?”. Porque o meu termômetro é minha felicidade. Quando eu tiver dúvidas terei que parar, pensar e discernir. A dica então seria essa: se abrir à graça de Deus, ouvir o que Ele fala ao nosso coração e ignorar os barulhos externos, porque isso atrapalha.
De 2021 até 2022 a Paróquia não teve nenhum seminarista, em função da pandemia de Covid-19. A Bom Pastor Praia da Costa teve apenas um padre nesse período, como vigário ajudante, o padre Casio.
Já nos anos de 2023 a 2024 o seminarista Antonio Vitor Favero foi o jovem que disse sim a Deus para fazer estágio vocacional na Paróquia Bom Pastor, e que concedeu essa entrevista a jornalista Mary Martins, para a edição 4 da Revista Conexão, de janeiro a abril de 2023.
Com 28 anos, Antônio é natural de Alfredo Chaves e é o caçula da família. Muitos não conhecem a trajetória de um homem para chegar ao sacerdócio. Nesta entrevista, você vai saber mais sobre este chamado tão nobre que exige dedicação e disciplina.
Quando você descobriu que era vocacionado?
Desde pequeno sentia o desejo de ser Padre, sobretudo, exercendo o ministério de coroinha na minha comunidade e participando da Liturgia. No entanto, foi finalizando a faculdade de Serviço Social que resolvi de fato procurar o Seminário para discernir minha vocação.
Há quanto tempo está se preparando?
Já faz sete anos completos que estou no Seminário. Agora acabei de cursar o 8° ano do total de oito anos.
Que caminho seguiu até chegar à Paróquia Bom Pastor?
Após concluir o ensino médio, graduei-me em Serviço Social na UFES. Em seguida, já entrei no seminário e meu primeiro estágio pastoral foi na Paróquia São Francisco de Assis, em Laranjeiras. Me formei bacharel em Filosofia e iniciei os estudos de teologia fazendo o segundo estágio na Paróquia Bom Jesus em Novo Horizonte, Cariacica. Atualmente estou cursando o 3° ano do curso de Teologia e sigo para a Paróquia Bom Pastor.
Encontrou alguma dificuldade?
Muitas são as dificuldades que surgem no caminho: angústias, desafios. Mas, com a ajuda dos formadores, do diretor espiritual, de amigos e até mesmo dos paroquianos encontramos força para superar e perseverar.
O que seus familiares pensam a respeito da sua vocação?
Desde o início, sempre me apoiaram na decisão de entrar para o seminário e até hoje me dão todo o suporte necessário.
Quais são as suas expectativas em vir para a Paróquia Bom Pastor?
Minhas expectativas para o estágio vocacional aqui são as melhores. Desde o momento que fui comunicado dessa destinação, fiquei muito feliz. É uma Paróquia muito ativa pastoral, social e espiritualmente. E, também, que sempre colabora com nosso Seminário. Por isso, tenho certeza de que ainda há muito a aprender com a paróquia e com o padre Edemar.
O que um seminarista pode fazer?
O seminarista durante o estágio pode colaborar de várias formas: ministrando formações, apoiando às diversas pastorais da paróquia, conduzindo momentos oracionais, dirigindo Celebrações da Palavra de Deus, colaborando na organização das cerimônias litúrgicas e em tudo mais que for necessário e solicitado que esteja em sua capacidade de fazê-lo. Mas, sobretudo, no estágio pastoral, o Seminarista aprende valiosas lições a partir da convivência com o pároco e com os paroquianos.
Por que você quer ser padre?
Quero ser Padre para servir! Servir a Deus, a Igreja e ao povo. Ministrando os sacramentos, dispensar a graça de Deus a todos os que O procuram e anunciar o Evangelho de Jesus Cristo.
Que mensagem você deixa para os jovens que acreditam ter o chamado para o sacerdócio?
Aos jovens que sentem a inquietação do chamado para a vocação sacerdotal, não tenham medo! Procure o seu pároco, procure o seminário para discernir a vontade de Deus para a sua vida! Tenha coragem!
Acolher um seminarista durante o período de estágio pastoral é um grande gesto concreto de contribuir com a formação dos sacerdotes, além da oração e de doações para sustento do Seminário Nossa Senhora da Penha.
Que no próximo ano a Paróquia possa receber mais um jovem vocacionado para contribuir para a evolução de todos.